quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Saudades



Gilmar acordou às 4h no susto, cinco minutos antes do despertador tocar, mas parecia que acabara de se deitar. A rotina estava puxada. Era garçom num restaurante na Lapa, bairro boêmio do Rio de Janeiro.


A jornada começava cedo, com o café da manhã e se encerrava após o jantar. As horas extras eram constantes. Diante da falta de funcionários, ele se oferecia na tentativa de engordar o parco salário. Para isso, carregava a bandeja pelo salão o dia todo, sempre com sorriso no rosto, apesar do uniforme quente e o calor carioca de 40 graus.

Os clientes impacientes exigiam sua atenção e rapidez nos pedidos. O gerente, constantemente mau humorado e com cara de poucos amigos, vivia no seu "pé". Poucos eram os que retribuíam a simpatia, não entendia.

Aprendera desde cedo a tratar às pessoas bem. Em sua terra, aliás, isso era comum.

Lembrando de sua pequena cidade no sertão de Pernambuco, recordou com saudades dos seus que lá ficaram. Há longos quatro anos deixou mãe, mulher e filhos em busca de uma vida melhor para todos.

Na mala velha e surrada, trouxe para o Rio de Janeiro muita esperança e otimismo. Mas dia após dia de trabalho intenso e noites com poucas horas de sono esse desenho parecia mais distante e sem sentido. Já não pensava mais em "enricar", pensava em voltar para os braços da família.

Foi nesse momento que as prioridades mudaram. Gilmar passou a cogitar deixar para trás o gerente mau humorado com os clientes que só sabiam reclamar, o salário mínimo que com a gorjeta mal dava pra pagar o pequeno quarto alugado no subúrbio da cidade e voltar para sua terra.

Já não importava uma vida melhor, mais dinheiro ou patrimônio, mas sim uma vida feliz. Nessa sintonia saiu para mais um dia de trabalho. Sonhando com o dia que voltaria para casa.



terça-feira, 15 de março de 2016

Novo centro de adoção de animais é inaugurado em SP



Foi inaugurado na manhã desta sexta-feira (29), o novo Centro Municipal de Adoção de Cães e Gatos, localizado no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ-SP).

De acordo com o secretário municipal de Saúde de São Paulo, Alexandre padilha, o local é moderno, ecologicamente sustentável, com centros cirúrgicos, salas pré, pós, auditório e toda uma infraestrutura para incentivar ainda mais a posse responsável. “Todos os animais que passam pelo Centro de Controle de Zoonoses são cuidados, vacinados, vermifugados, microchipados e vão com o Registro Geral de Animais (RGA)”, afirma.

A  infraestrutura específica que permitirá a preparação dos animais para adoção, tais como centro cirúrgico, salas de recepção de munícipes, administrativas e auditório, permitindo que os futuros adotantes e animais adotados tenham melhor contato.

 “O CCZ possui cerca de 350 animais para adoção, 250 cães e 100 gatos, que precisam de um lar. A nova estrutura do centro de adoção permitirá que tutores e animais tenham melhor contato”, explica Alexandre Padilha, secretário municipal de Saúde de São Paulo.

O novo Centro possui 30 canis e 24 gatis, onde os animais serão colocados para adoção. É um ambiente ecologicamente sustentável, com sistema de captação de água de chuva para lavagens e irrigação, além contar com área de ventilação planejada e iluminação natural e artificial de LED, entre outras novidades.

As novas acomodações permitirão ampla visualização e interação com os animais disponíveis para adoção, que permanecerão no centro em sistema de rodízio, para que todos os animais alojados no CCZ tenham a possibilidade de serem adotados.

Retrato do abandono


Todo cão ou gato, quando de relevância para a saúde pública, é removido para o CCZ-SP e passa por avaliação médica veterinária. Se necessário recebe tratamento, inclusive contra pulga e carrapato. Quando liberados para a adoção, estão devidamente imunizados contra a raiva, doenças espécie-específicas, vermifugados, esterilizados cirurgicamente e identificados por microchip.
Segundo o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ-SP), em 2014, 687 cães e 569 gatos ganharam um lar. Até outubro de 2015, foram adotados 570 cães e 522 gatos.

Não é possível mensurar o número de animais abandonados em São Paulo, uma vez que eles possuem características nômades, mas vale lembrar que abandono é crime previsto na Lei Federal de Crimes Ambientais 9.605/98, de competência dos órgãos de segurança pública.

O Centro de Zoonoses efetua remoção de cães e gatos soltos em vias e logradouros públicos em casos de agressão comprovada com laudo médico da vítima, invasão a instituições públicas ou locais em situação de risco, bem como nos casos de animais em sofrimento com doença incurável ou suspeita de transmissão de zoonoses de importância em saúde pública, conforme determina o art. 7º da Lei Municipal 15.023/09.

Adote

O processo de adoção começa com uma visita no canil ou gatil. Um funcionário mostra os animais disponíveis e faz algumas perguntas informais para estimular as pessoas a serem fidedignas nas respostas. Com o perfil do adotante estabelecido, o CCZ consegue recomendar um perfil de animal que já conheça para propor à pessoa.

Todo animal adotado do CCZ-SP tem direito a acompanhamento clínico e comportamental de 30 dias para o tratamento de doenças que eventualmente o animal pode ter encubado no período da adoção.

Os interessados em adotar devem comparecer ao CCZ (Rua Santa Eulália, 86, Santana, São Paulo – SP, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h e aos sábados das 9h às 15h)  levando coleira e guia para os cães e caixa de transporte para gatos, além de documentos pessoais como RG, CPF e comprovante de residência. A taxa pública é de R$ 18,50. É necessário ter mais de 18 anos.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Com que roupa que eu vou?



Na última quinta-feira (27), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou um estudo que revela o conservadorismo da população brasileira em relação às mulheres e o desconhecimento de seus direitos.

Do universo pesquisado, 42,7% da população concorda totalmente que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas'' e 22,4% concordam parcialmente com a afirmação. Já 35,3% concordam totalmente que “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros. ’’

Os dados são preocupantes, porque evidenciam um comportamento doentio e sexista, de uma parcela significativa da sociedade que estimula a violência contra as mulheres.

Entretanto, quem se espanta com esse estudo não conhece, ou finge não ver, a realidade onde homens e mulheres imbuídos de ideias conservadoras, machistas e retrógradas, colocam no banco dos réus a mulher, pelo simples fato de ser mulher e ser dona de seu corpo, de sua vida.

Num momento em que encoxadores e molestadores de transporte público ocupam os noticiários e as páginas da grande imprensa, o estudo do Ipea comprova o cenário, que há anos o movimento feminista denuncia e tenta mudar, construído pelas mentes machistas e patriarcais da sociedade brasileira que vê as mulheres como culpadas pela violência cotidiana que enfrentam.

Por que Marchas das Vadias se proliferam mundo afora? Porque a mulher convive com o assédio em seu cotidiano: no ambiente de trabalho, no transporte público, em casa, ou seja, em todos os lugares. As mulheres sempre são colocadas à prova para provar o seu valor e defender seus direitos.

A mudança desse quadro requer o combate à violência contra a mulher com a punição dos agressores e a implantação de políticas públicas articuladas que fortaleçam o papel da mulher e promovam a igualdade de direitos.

Mulheres são donas de seu corpo, estejam nuas ou não, estejam onde e como estiverem. Assim como devem ter direito ao aborto, outro tema que abala e causa efervescência na sociedade.

Portanto, é inadmissível que, em pleno século XXI, sejamos queimadas na fogueira pelo tipo de roupa que vestimos ou como nos comportamos.

Somos mulheres que arregaçam as mangas para lutar, trabalhar e conquistar vitórias. E vamos continuar lutando, com unhas e dentes para defender esse direito.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Soltando o verbo

Para impedir erros como este: "Bom dia à todos"...

Crase é a junção da preposição “a” com o artigo definido “a(s)”, ou ainda da preposição “a” com as iniciais dos pronomes demonstrativos aquela(s), aquele(s), aquilo ou com o pronome relativo a qual (as quais). Graficamente, a fusão das vogais “a” é representada por um acento grave, assinalado no sentido contrário ao acento agudo: à.

Como saber se devo empregar a crase? 

Uma dica é substituir a crase por “ao”, caso essa preposição seja aceita sem prejuízo de sentido, então com certeza há crase.
Veja alguns exemplos: Fui à farmácia, substituindo o “à” por “ao” ficaria Fui ao supermercado. Logo, o uso da crase está correto.

Outro exemplo: Assisti à peça que está em cartaz, substituindo o “à” por “ao” ficaria Assisti ao jogo de vôlei da seleção brasileira.

É importante lembrar dos casos em que a crase é empregada, obrigatoriamente: nas expressões que indicam horas ou nas locuções à medida que, às vezes, à noite, dentre outras, e ainda na expressão “à moda”.  Veja:

Exemplos: 

Sairei às duas horas da tarde.
 
À medida que o tempo passa, fico mais feliz por você estar no Brasil.
 
Quero uma pizza à moda italiana.

Importante: Lembre-se que a crase não ocorre antes de palavras masculinas; antes de verbos, de pronomes pessoais, de nomes de cidade que não utilizam o artigo feminino, da palavra casa quando tem significado do próprio lar, da palavra terra quando tem sentido de solo e de expressões com palavras repetidas (dia a dia).



sexta-feira, 16 de março de 2012

Respeitem o próximo!


Na cidade de Linhares, litoral do Espirito Santo, um adolescente de 16 anos ateou fogo em um grupo de quatro moradores de rua. A agressão ocorreu em uma quadra de esportes abandonada que era usada pelo grupo como abrigo. Marinalva da Silva Alves, 64 anos, teve 70% do corpo queimados. Os outros moradores de rua conseguiram escapar antes de serem atingidos pelas chamas.

No DF, um comerciante contratou por R$ 100 um grupo de jovens para queimar dois homens que moravam em frente à sua loja. Em outro caso, foram mortos, a tiros, dois moradores de rua, enquanto dormiam sob árvores na cidade de Taguatinga. No mesmo dia, em Campo Grande (MS), um morador de rua foi amarrado a uma árvore e teve 40% do corpo queimados.

O Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para População em Situação de Rua manifestou repúdio nesta quinta-feira em relação aos atos de violência praticados contra a população de rua de todo o País. Segundo o comitê, os crimes se aproximam de práticas de grupos de extermínio. Em menos de um mês, atentados contra moradores de rua foram cometidos no Distrito Federal (DF), em Mato Grosso do Sul e no Espírito Santo.

De abril de 2011 até a semana passada, 165 moradores de rua foram mortos no Brasil. O número divulgado hoje pelo Centro Nacional de Defesa dos Direitos Humanos da População em Situação de Rua e Catadores (CNDDH) representa pelo menos uma morte a cada dois dias.

Com informações da Agência Brasil 

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Como pode?

Muitas vezes ao dia, paro para pensar sobre o que leva uma pessoa a maltratar um morador de rua ou animal.

Atear fogo em mendigo, maltratar e torturar cachorros e gatos, estuprar mulheres e crianças, espancar idosos... Todas essas cenas fazem parte do cotidiano e recheiam jornais impressos e televisivos.

Quanto dessas pessoas nos parecem normais no dia a dia? Como saber quem é capaz de cometer essa crueldade ?

Chegamos a um ponto que divertido é ver alguém sofrer, seja ele um velho, um cachorro ou mendigo. Pessoas, já tão sofridas, animais renegados, tentam conviver com a maldade do homem e o morbido prazer  com o sofrimento alheio.

Incomoda um cachorro magro, sujo e pulguento ou um morador de rua, sujo, malcheiroso, e por vezes bêbado, perto de você? Imagino que sim. Mas como ele chegou ali...Que circuntâncias os levaram a essa vida de desprezo...E que sonhos têm, e se os têm. São perguntas que temos que fazer antes de discriminar.

Moradores de rua são pessoas, cachorros e gatos são animais, portanto, com direito à vida e condições mínimas de sobrevivência. Cada um com seus defeitos e qualidades, pois nós, meu amigo,  também as temos, e muitas. E todos merecem viver em paz.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

QUEM TEM RAZÃO? AS MÃES OU AS FILHAS?

MARIA LUCIA DAHL

Uma é mãe, a outra é filha. Uma, a extensão da outra, difícil destino que se entrelaça, revolta-se, recusa-se, esperneia, reflete-se, trapaceia. Uma é a outra amanhã, outra foi aquela ontem. Uma sabe, intui, adivinha o que a outra esconde, inverte, imita, finge que não é. Uma, menina; outra, mulher.

Brincando de casinha, de boneca, procurando estrela do mar, fazendo castelo, aprendendo a nadar.

- Não quero comer, não quero.

- Come os legumes, eu espero. Olha só o aviãozinho. Anda, vai logo, come, senão o aviãozinho some!

À noite a mãe conta história. A filha tem medo da bruxa.

- Que maldade, mamãe, puxa!

- Não tem que se preocupar! Branca de Neve caiu dura, mas chega o Príncipe, e a coisa toda muda de figura...

Se a mãe sai, a filha lhe deixa bilhetes presos na parede e fica esperando a mãe, balançando-se na rede.

- Espera, não lê agora. Ainda não está na hora. Assim que a gente deitar você pode começar.

Saem, riem, se completam. Não querem saber de ninguém. Ficam as duas muito bem.

A mãe veste a blusa da filha; a filha, a saia da mãe - mãe e filhas refletidas numa inversão divertida.

Mas a filha vai crescendo e a mãe nem vai percebendo.

A mãe corta o cordão umbilical da filha quando esta nasce. A filha, quando adulta, corta os laços. A mãe, pra existir, se dá à filha. A filha, pra poder viver, a rejeita.

Em que momento da vida deixaram de ser cúmplices? Quando é que pararam de se divertir? Contar histórias? Trocar de roupa, rir? Desde quando que a mãe chora? Quando é que a filha foi embora?

Uma já viveu ao seu modo o que a outra vive agora.

A filha é a criança da mãe; a mãe, o super-ego da filha.

A filha se enche de impaciência diante da mãe; a mãe, de amor pela filha. Ambos os sentimentos se extrapolam em ninharias ridículas. Uma fez isso, outra aquilo. Uma agiu assim, outra assado.

- Olha, mãe, tudo acabado.

Quem terá razão, as mães ou as filhas?

A filha não agüenta mais nada. A mãe sempre agüenta mais uma. As dores são ondas que oscilam de intensidade. Uma ou outra mais forte tira-lhe o fôlego, joga-a no chão. Nada que não a faça voltar à tona, ver de novo a onda verde, retomar a respiração.

A filha nada contra a mesma maré que um dia embrulhou a mãe. A mãe estende-lhe a mão, delicada. A filha recusa, indignada.

- Me deixa nadar sozinha.

Sempre a mesma ladainha...

Quantas ondas grandes a mãe teve que furar? Quantas arrebentações driblar? Onde estará ela, a filha? Ali boiando, esquecida, e a mãe a se preocupar que se afogue, nas ondas verdes da vida.

- Me empresta o carro pra eu ir à festa?

- Por que não põe uma roupa mais transada, uma blusa decotada, um vestido de outro tom? Minha filha, não acredito: cê vai sair sem batom?

- Ai, meu saco, vou-me embora. Dá pra me emprestar agora?

- Como é que foi o trabalho? Cê fez aquela leitura?

- Mãe, foi tudo uma chatura. Anda mãe, cadê a chave? Estou atrasada. Ave!

- Queria saber da peça.

- Já disse que é chata à beça... Anda, mãe, que eu tô cansada e ainda por cima com fome...

- Então dorme aqui, vê se come...

- Esquece. Não quero ficar.

- Pena... Tinha tanta coisa pra contar...

- Ora, mãe, para de fazer drama... Cê quer mesmo é cair na cama.

- Já voltou a essa hora?

- Se não quiser, vou-me embora...

- Levei um susto, foi isso. É que você me acordou...

- Dorme de novo, eu já vou...

- Vai de novo viajar?

- E você? Me controlar? Saco, tá mais que na hora. Escuta, mãe, vou-me embora.

- Não esquece de fechar a porta. Apagar a luz... Cuidado com a violência...

- Ai, mãe, tenha paciência...

Em cima da mesa um bilhete: ''Mãe, desculpe o mau humor, mas é que eu ando uma pilha...''

Quem tem razão? As mães ou as filhas?

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Todos são felizes

Família é mesmo uma coisa. Cada um com suas expectativas e metas de superação. Quando somos crianças acreditamos que nos tornarmos bem sucedidos profissionalmente é o segredo da felicidade. Planejamos nosso futuro, sonhamos e acreditamos que ele vai tardar para chegar.

Cada mãe da família coloca suas expectativas nos seus rebentos. O que vai ser, quem vai se tornar. Mães falam de seus filhos estudiosos, se aborrecem quando param de estudar. Não digo que estão erradas, mas quando se cresce, apesar da importância da formação, cada um escolhe que caminho trilhar.

Alguns se casam cedo e param de estudar para trabalhar. Outros se formam, mas nem por isso "dão certo" na vida. Há ainda aqueles que se formam tarde, quando bate a vontade de estudar. Aqueles que se formam cedo demais, mas se embolam no meio do caminho.

E depois de tantos anos e tantos desvios de caminho, nos encontramos e percebemos que nem tudo saiu conforme o sonhado, porém cada um é feliz ao seu modo.

Em casa alugada ou prória, com carro ou sem ele, com filhos ou não... Todos são felizes. O bem sucedido profissionalmente ficou pra trás. Porque o que importa na vida, realmente, é fazer o que gostamos, estar com as pessoas que amamos e sermos felizes.

Aproveite!